sábado, 8 de maio de 2010

Capitulo 4 – Mudanças


“Sabe quando nada mais será igual como antes? Sabe quando o conto de fadas acaba? Sabe quando nossas esperanças, ou nossas forças acabam? Sabe aqueles momentos quando nada mais faz sentido? Então eu não estou nesses momentos. Eu acho.”

Eu não entendia. Minha mãe. Arrumava suas coisas e eu também. Dentro de meia hora estava com tudo dentro de minhas malas. Tudo estava cada vez mais estranho. Minha ficou calada enquanto eu terminava de descer as malas. Não havia ninguém dentro da casa alem de mim e minha mãe. Fora alguns policias. Eu olhei novamente para a casa. Parecia ser outra. A lua entrava pela grande janela da sala de estar, e banhava toda a sala com uma luz gélida e morta. Será que essa era a ultima vez que eu entrava nessa casa? No fundo do meu coração eu acho que sim. Minha mãe continuou andando e andando até já estar na rua. Será que ela não vai pegar o carro?

Rose: - Mãe, cadê o seu carro?
Natalia: - Caminhe Rose. Caminhe. Temos um longo caminho.
Rose: - Onde esta papai?
Natalia: - Seu pai? Ele esta preso! PRESO! – gritou.
Rose: - Como?
Natalia: - Isso mesmo que você ouviu. Ele Foi preso por trafico, assassinato, corrupção e muitos outros crimes. Ficamos sem nada por que ele nos roubou! Maldito! Mil vezes maldito!

Eu parei, olhei novamente para onde minha vida ficava para trás.  Tudo era tão diferente agora. Tudo tinha mudado. Tudo tinha perdido o seu brilho. Nada mais era igual como antes. Onde esta o luxo as riquezas quando precisamos.  Tudo havia acabado. Meus sonhos. Fomos caminhando ate um hotel simples. Minha mãe disse que ficaríamos por lá durante um tempo. E que eu ainda poderia ir a minha escola. Suas economias davam para manter ate eu conseguir uma bolsa de estudos. Dormir assim que cheguei ao quarto. Eu queria minha cama. Minha casa e acima de tudo minha vida. Tudo havia sumido como um passe de mágica. Tudo havia se transformado em um pesadelo.

Como as coisas mudaram. A noite não passava. Eu simplesmente entrei em choque. Minha vida mudara da noite para dia como se fosse normal. O dia chegou antes que eu imaginava. Era domingo. Não tinha escola. Fiquei deitada enquanto minha mãe saiu. Tinha que resolver umas coisas no centro. As horas não passavam tão rápido agora que eu estava sozinha.

Olhava o teto do quarto e imaginava o quanto tudo era diferente. As paredes do meu quarto em seu tom lilás pardo. As estantes com meus milhares de cd’s. Tudo deixado para trás. Minhas coisas. Meus pertences. Minha vida. Tudo. Tudo agora estava distante de mim para trás.

Acabei pegando no sono novamente. Sonhei que eu estava em um grande jardim tudo era verde vivido, e cheio de formosura. Tudo era perfeito. Tinha uma tenda com as colunas de ouro. Tudo era meu. Tudo era para uma princesa. Olhei e na minha frente tinha um espelho. Eu estava linda como nunca. Mas de repente tudo começou a ficar escuro. O sol deixou de brilhar e as coisas começaram a ser levadas pelo vento. Acordei e já era de noite. Estava tudo escuro. Acendi a luz do quarto e me sentei perto da janela.

A noite estava silenciosa. Não havia barulhos. Tudo estava quieto. Tudo. Minha imaginação começou a voar. Talvez umas horas dessas, eu estivesse fazendo uma festa. Festa? Nossa! Eu iria fazer uma festa. Como eu me esqueci? Mas agora do que adiante se lembrar de festa? Minha mãe chegou. Não disse nada. Deitou e dormiu. Estava sem sono. Amanheceu. Hoje eu tinha aula, mas não estava com vontade de ir para escola.

Fui à marra. Minha mãe disse que seria bom para mim. Chegando à escola todos me olhavam estranho. Entrei na minha sala. E mais olhares estranhos. Me aproximei das meninas. Mas nada de sorrisos. Em vez disso caras fechadas.

Rose: - Tudo bem. O que esta acontecendo aqui?
Julie: - O que esta acontecendo? Simples. Não queremos uma ladra como colega.
Rose: - Como é que?
Julie: - Sabemos que seu pai foi preso. Sua ladra. Sai daqui.

Eu estava chocada. As pessoas começaram a rir comas palavras da Julie. Mas tinha que ser logo ela? Sai da sala de aula. Segurando as lagrimas. Pisquei algumas vezes querendo engoli-las. Não posso ser fraca. Não posso ser fraca. Eu procurei pelo Leo. Ele não estava na sala, então deve estar com seus amigos no pátio. Fui ate onde eles estavam. Eles me olharam, mas não me deram atenção, ate eu falar.

Rose: - Oi meninos vocês viram o Leo?
João: - Ele saiu.
Carlos: - Ele não veio.

Achei estranho. Eles estavam mentindo para mim. Isso era certeza. Eles me olhavam.

Rose: - Sabe quando ele volta?
Carlos: - Você precisa dele?? Nós podemos fazer muito melhor que ele.

Todas começaram a rir de mim. Não agüentei aqui e sai da beira deles. Será que o Leo contou para eles? Fui correndo para o banheiro. Não queria sair de lá. O sinal tocou. Esperei mais um pouco. Era o fim do dia. Então eu sair.

Saindo do banheiro eu vi o Leo. Ele estava saindo também. Mas ele estava indo em direção ao fundo do colégio. Eu comecei a seguir ele. Quando eu cheguei vi que ele estava com mais umas pessoas. Umas meninas. Eles estavam rindo. E fazendo sexo oral.

Me aproximei. Eles me notaram. Fiquei quieta por um tempo. Até que eu vi quem era uma das meninas. Julie, Amanda e Gabriela. Minhas amigas me traindo com meu namorado?

Rose: - O que é isso?
Leo: - Oi Rose. Que ajudar as meninas? – disse rindo.
Rose: - O que Leo? Você que eu faça com você depois disso?
Leo: - Claro gatinha. Ou melhor, ladrazinha.
Julie: - Ladra! Vai querer fuder com meu namorado com agora?
Rose: - O que? Seu namorado?
Leo: - Tu é idiota mesmo. Você acha que eu ia ficar com você? Seu pai ta preso!
Rose: - Mas você me amava.
Leo: - Disse bem. Amava!
Rose: - mas..
Amanda: - Mais nada! Sai daqui vai.

Foi então que eu vi uma câmera na mão da Gabriela. Mas eu já estava chorando. Sai dali. Não agüentava mais ficar naquele lugar. Tudo havia mudado tanto. Minha vida de uma hora para outra tinha acabado. E tudo que eu mais queria era um consolo. Mas eu na tinha nada. Só o vazio. Tudo tinha acabado. Meus sonhos. Minha vida.

Fui correndo ate o hotel onde nós estávamos hospedadas. Entrei e me joguei na cama que seria minha por algum tempo. Chorei como eu nunca chorei na minha vida. As lagrimas saiam como um rio de água viva. Água viva? Onde eu já ouvir isso?  A Fernanda sempre disso que do trono de Deus fluem um rio de águas vivas.

Rose: - Deus? Sei que esta ai? Pode me ouvir? Olha aqui para mim! Por que tudo isso esta acontecendo? Por minha vida acabou? Você me odeia tanto assim? Onde foi que eu errei? Em querer ser feliz? Em querer ter tudo? Deus? Você pode me ouvir? Responde! Por que se cala. Covarde!

Gritei com minhas forças. Mas eu não tinha resposta. Recebia o silencio. Shhhh! O vento batia nas janelas e o silencio. Somente era possível ouvir o som dos pássaros. O vento. Olhei pela janela. Sentei na cadeira que estava perto da janela. Olhei novamente. O sol tinha sumido. Como se tivesse vergonha de mim. E estava começando uma chuva fina. Se fosse possível eu pensaria que Deus estava chorando comigo. Bobagem. Deus se esqueceu de você. Continuei olhando. Adormeci ali na cadeira. Eu não sonhei. Não tinha mais sonhos. Tudo que eu tinha agora era o vazio. O vazio de uma vida que tinha tudo. Às vezes eu pensava que isso tudo era um pesadelo que eu acordaria e tudo estaria no seu lugar. Mas ai eu lembrava que nada disso era mentira. Era a minha nova verdade. Maldita verdade que consome você. Te mata. E destrói o pouco de sonhos que temos.

Amanheceu o dia. Eu estava na cama. Como eu vim para aqui? Minha mãe tinha saído. Eram seis da manha. Me arrumei. Não queria ir para aquela escola. Mas não tinha outra forma de estudar. Mas eu tinha que ser corajosa. Me olhei no espelho. Ainda era eu ali. Rose Lopes Bittencourt. Bom agora o Bittencourt perdeu seu prestígio. Quase não vale nada como o sobrenome de minha mãe: LOPES. Mas lá estava eu. Me olhando. Ainda tinha os mesmos cabelos pretos e lisos. O desejo de todas as meninas do colégio. Os olhos mel. Era a mesma de três semanas atrás. E pelo visto serei a mesma por toda a minha vida.

Fui caminhando ate o colégio. Era perto do hotel por sorte. O portão ainda não havia sido aberto. Me sentei em um banco da praça mais afastado. Não queria ser incomodada. O vento estava forte hoje. Seria sinal teríamos chuva. Chuva! Nunca fui de gostar de chuva, mas de ontem para cá, a chuva ganhou um novo sentido para mim.

xxx: - Rose?

Olhei. Era a Fernanda.

Rose: - O que você quer? Rir da minha cara?
Fee: - Não. Por que eu faria isso?
Rose: - Simples. É o que todos estão fazendo. Rindo de mim. Não tem uma pessoa que não ri. Ate mesmo os professores estão rindo de mim. Será que isso não é motivo suficiente?
Fee: - Verdade. Mas você sabia que também riram de Jesus, quando ele estava na cruz?
Rose: - Não. Eu não sabia.
Fee: - Todos riram dele. Não acreditavam que ele era o filho de Deus. Zombaram dele. Riram. Cuspiram em seu rosto. Jesus levou maldições sobre suas costas. E ao ser pregado naquela cruz, se humilhou diante da humanidade. Mas ainda sim ninguém parava para ouvir sua bela mensagem de perdão e amor.
Rose: - E o que isso tem haver comigo?
Fee: - Tudo. Ás vezes é necessário sairmos da gloria e honra assim como Jesus fez, descer para o mundo e se torna pobre para mostrar o grande amor, sofrer humilhações e ate mesmo ser desprezado pela sociedade para então salvar o mundo.
Rose: - Me deixa Fernanda. Eu não quero mais saber de Deus. Ele me abandonou. Me esqueceu. Me repudiou. Farei o mesmo com ele.

Ela se levantou do meu lado. Sorriu. E simplesmente foi para a porta do colégio que agora já estava aberta. Olhou para o céu. E parou antes de continuar a caminhar. Olhou para mim.

Fee: - Um dia você vai entender que somente através da dor e sofrimento Deus esta mais próximo que você pensa.

Com as ultimas palavras dela, começou um chuvisco fino. Era quase invisível aos olhos. Mas eu podia sentir ali. As palavras dela estavam rodeando minha mente. Olhei para o céu. Será que Deus esta perto de mim?

Entrei, e logo percebi um aglomerado perto do telão do pátio. O que será que esta passando ali. Tentei me aproximar. Quando eu vi quase não acreditei. Todos estavam ralando de rir. Era a cena de ontem. Meu chão caiu. Tudo que eu ainda tinha havia acabado. Minhas pouquíssimas esperanças haviam acabado. Sai do colégio as minhas coisas caíram enquanto eu corria. Eu vi a Fernanda enquanto eu ia em direção ao portão. Eu não agüentava mais. Tudo para mim era demais. Respirar. Pensar. Tudo era demais para mim.

Conseguir chegar à rua. O chuvisco fino de antes, era uma chuva forte agora. Mas eu não me importei. Eu corria. Não via mais nada. Nem para onde eu andava. Só sabia que era para bem longe dali que eu queria ir.

Continuei correndo. Correndo. A liberdade me dava um pouco de alegria. Ao menos a isso eu ainda tinha direito. As lagrimas já misturadas com a chuva não me incomodava mais. Eu não tinha mais vergonha de mostrá-las ao mundo. Sim! Eu sou fraca. Era o que minha mente gritava comigo. Fraca! Fracassada! Patética.

Nada tinha mais sentido. Continuei correndo ate me esbarrar em uma senhora. Era de uma boa aparência. Vestia-se de maneira simples, mas ao mesmo tempo elegante. Ela me olhou e sorriu.

xxx: - Qual seu nome moça? – disse colocando o seu guarda chuva sobre minha cabeça.
Rose: - Rose. Meu nome é Rose... Rose Lopes.
xxx: - Hum... Prazer Rose. Meu nome é Ester. Eu moro logo ali naquela casa. Por que você não entra e se seca. Também aproveita para tomar um chá quente.
Rose: - Mas...
Ester: - Mais nada. Você é minha convidada. E sinceramente parece estar com problemas.

Olhei para Ester. Ela era uma mulher jovem. Por volta dos seus quarenta anos. Muito simpática, confesso. Aceitei o convite dela. E entrei na casa. Vi fotos da família dela. Era uma casa humilde. Então em uma das fotos eu vi quem eu mesmo esperava. Eu estava na casa...

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