“Mentiras.. O mundo é formado na base de mentiras. Sim isso mesmo. Você vive a mentira de estar tudo bem. Você vive a mentira de que tudo era sera eterno. Você vive a mentira que Deus te ama. Mas no fundo tudo isso é mentira. O mundo em si é uma grande mentira.”
Aquela casa não era uma simples casa. Era a casa da Fernanda. Tinha varias fotos dela por todo canto. Então Ester deve ser a mãe dela. Enquanto ela tinha ido pegar uma toalha para me secar. Eu olhava as fotos. Em cada momento sempre era visivel o mesmo sorriso marcante e irritante dela.
Ester: - Minha filha. Minha única filha. Deus só me permitiu ter ela. E quase que a perco.
Eu levei um susto ao ver a Ester me olhando. Ela tinha um olhar calma e passivo. O mesmo olhar que a Fernanda.
Rose: - Como assim voce quase a perde?
Ester: - Quando ela estava nascendo, ela teve complicações. Mas eu sabia que ela viveria. Deus havia dito para mim, que atraves de minha filha pessoas com problemas voltariam para o amor de Cristo.
Rose: - Entendo. – sorri tentando ser o mais cortes possivel.
Ela me preparou um copo de chocolate quente. Estavamos entrando no inverno. Daqui para frente durante três meses chuveria muito e em alguns casos até nevaria. Estava preocupada. Em breve não teriamos mais dinheiro para ficar no hotel. Esses pensamentos fizeram as lagrimas sair novamente pelos meus olhos. Malditas lagrimas. Maldita vida. Que droga!
Ester me deu um lenço. Sequei na muita marra aquelas malditas lagrimas. Sinal de fraquesa. Fraca. Era isso que eu era. Fraca. Ester me olhava. Apenas olhava não dizia nada. Nem se que perguntou o que eu tinha. Era como se ela respeitasse a minha dor.
Ficamos assim caladas por um bom tempo. Ela olhava para a chuva. E eu olhava para as inumeras fotos. Eles tinham um lar feliz. Tudo era lindo ali. Tinha uma paz. Tudo era perfeito, como o meu lar nunca foi. Sentir que mais lagrimas viriam. Mas essas eu segurei. Com a mesma forma me levantei. Ester me olhou.
Rose: - Acho que esta na minha hora de ir.
Ester me olhou. Sorriu. E me acompanhou ate a porta. Mas antes que saisse ela me abraçou forte. Beijou meu rosto. Senti que aquilo era para debochar de mim. Sair de perto dela. Ela sorria.
Ester: - Lembre-se aqui você sempre tera um lar. Sempre que precisar, estamos com as portas abertas.
Sai e continuei caminhando na chuva. Claro que a Ester me ofereceu o seu guarda chuvas mas eu preferir não levar nada daquela casa. Por que tudo lá era diferente? Continuei caminhando. Ai lembrei que tinha que fazer uma coisa. Fui em direção a delegacia. Nem sabia se poderia entrar naquelas condições que eu estava. Eu estava toda molhada. Mas nem por isso deixei me abater. Afim ainda me restava um pouco de dignidade para poder andar de cabeça erguida. Entrei na sala e todos param para mim olhar. Já não estava tão molhada assim. A chuva já tinha parado. Então eu já estava um pouco mais seca. Me aproximei do balcão de atendimento.
Rose: - Gostaria de visitar o sr. Jorge Bittencourt.
O atendente levantou sua cabeça olhando para mim. Depois voltou a olhar para seus inumeros papeis. Isso me irritou. Por mais que meu pai tenha feito besteira. E como fez besteira. Desgraçado. Mas ser mal tratada assim para mim era demais. Meu orgulho falava mais alto.
Rose: - Gostaria de ver Jorge Bittencourt. E não me olhe com surpresa. Sou a filha dele, e sei que tenho direito de ver meu pai.
Ele me olhou novamente. Mas não me deixei humilhar. Chega de humilhações por hoje. Agora quem manda aqui sou eu. E não esse ridiculo que esta na minha frente. Arrumei minha postura. E continuei encarando ele. Não me importava com mais nada. Eu quero! Eu posso! Esse era o meu lema.
xxx: - Sim senhorita. Aguarde um momento. O delegado já irar atende-la.
Rose: - Obrigada.
Dei a ele uma ultima olhada de arrogancia. E sentei na sala de espera. E para ser uma sala de espera, estava muito bem arrumada para uma delegacia. Então eu entendi, essa era a famosa delegacia dos ricos. Sorri com a ideia. Meu pai tinha feito mais uma delegacia enquanto estava na prefeitura. Era para seu amigos ricos, que não queriam ficar em celas mega aglomeradas. Pelo menos um luxo no final das contas.
xxx: - Senhorita Bittencourt? Prazer meu nome é Caio. Sou assistente do delegado Julio. Ele me pediu que a acompanhasse a senhorita ate a sala de visitas.
Rose: - Obrigada Caio.
Devo confessar. Caio era um jovem rapaz. Deve estar em seus vinte anos. Cabelos escuros. E olhos penetrantes. Me lembrava o Leo. Maldito Leonardo. Mas Caio tinha algo mais nele. Era muito simpatico. Tinha um sorriso perfeito. E o corpo então. Se eu não tivesse nessa situação de estar visitando meu pai na delegacia, eu pegava ele aqui mesmo.
Entramos em uma sala. Tinha uma mesa, e duas cadeiras. Caio ficou perto da porta que entramos. E eu me sentei, esperando meu pai entrar.
Não demorou muito e eu escutei a porta que estava do outro lado da sala se mexendo. Era então o momento. O momento em que eu ficaria cara a cara com quem destruiu a minha vida.
Ele entrou na sala. Pelo menos ainda parecia o meu pai. Estava ate com uma aparência apresentavel. Olhei para ele com desprezo. Afinal a culpa de tudo isso era dele. Dele e de mais ninguem. Maldito seja. Desgraçado. Mil vezes maldito.
Ele me olhava como se a vergonha fosse a ultima coisa que lhe restava. Queria que ele morresse. Talvez não me causaria tanta dor assim.
Jorge: - Filha? Como eu queria te ver.
Rose: - Digo o mesmo para você.
Jorge: - Como você esta filha? Bem?
Rose: - Como eu poderia estar bem, idiota! Você fez eu ficar pobre. Ser humilhada. Como quer que fique bem?!?
Jorge: - Sinto muito filha. Eu me arrependo amargamente disso. Fiz você e sua mãe sofrer.
Rose: - Você nunca tera perdão maldito desgraçado. Maldito dia que você veio nascer. Maldito o dia que eu nasci!
Jorge: - Filha por favor. Aqui não é lugar.
Rose: - Então onde é o lugar? Em casa para você poder me espancar? Te odeio com todas as minhas forças desgraçado, filho de uma puta.
Jorge: - Rosemarie Lopes Bittencourt, cale-se e vá embora agora.
Rose: - Não me chama assim. Você sabe que eu odeio esse nome!
Jorge: - Esse é seu nome. E aceite ele. Era o nome de sua avó.
Rose: - Maldita mulher que te colocou no mundo.
Minha raiva estava no limite. Queria fuzilar ele com meus olhos. Nem reparei que o Caio ainda estava na sala. Nada me importava. Somente que eu queria por meu odio para fora. Aquele homem desgraçou a minha vida perfeita. Meus sonhos. Tudo que eu tinha. Acabou! Acabou por causa dele.
Rose: - Eu te odeio por ter estragado minha vida! – gritei – Tudo acabou por sua causa maldito. Por sua causa.
Nesse momento de raiva nem vi ele se aproximando. Era o Caio. Seu perfume me atingiu. Ele me abraçou forte. Nunca senti tal abraço assim. E com isso ele me retirou da sala. Mas antes deu um pequeno sorriso para meu pai. Que olhava atentamente para mim e para o Caio.
Rose: - Me deixe. Eu ainda tenho coisas para dizer para ele.
Caio: - Rose. Chega. Já acabou. Você machucou seu pai da mesmo forma que ele te machcou. Ele já esta sofrendo. Eu vejo a dor dele todo dia. Agora você abriu mais ainda a vergonha dele. Ele agora sabe que você esta machucada.
Rose: - Mas...
Caio: - Rose, mas nada. Agora venha. Vou pegar um café quente para voce.
Ele me levou em direção ao seu carro. Bom não era um carro novo. Mas andava. Era simples mas confortavel. Tudo em Caio era simples. Comecei a reparar nele. Ele era a simplicidade em pessoa. Por que eu tinha que conhece-lo dessa maneira? Justamente aqui.
Ele ligou o carro. E me olhou. Deu um sorriso de matar. E olhou para frente. Ele me deixava sem saber o que dizer.
Caio: - Posso ligar o radio?
Rose: - Claro, Caio.
Ele ligou o som. Nossa nunca tinha ouvido tais musicas. Eram calmas e falavam de amor. Pera ai! Falavam do amor de Deus. Deus?!? Não pode ser! Ele de novo não. Olhei para Caio. Seu sorriso simpatico ainda estava lá.
Rose: - Caio, posso te perguntar um coisa?
Caio: - Claro que pode Rose.
Rose: - Você é crente?
Caio: - Qual sua definição de crente, Rose?
Rose: - Sinceramente não sei te explicar. – e eu não sabia, aquele pergunta me pegou de surpresa. – Bom acho que crente é quem vai a igrejas evangelicas com um biblia embaixo do braço. Bom acho que é isso.
Caio: - Bom Rose, você esta um pouco errada. – me deu um sorriso mais sincero que eu já tinha visto nele. – Eu sou sim evangelico. Batista para ser mais exato. Mas todos nós somos crentes. Crentes em alguma coisa. Eu creio em Deus vivo, e voce deve crer tambem, né?
Rose: - Eu não acredito mais em Deus. – falei com todas as minhas forças.
Caio: - Entendo. – e novamente me deu aquele sorrio.
Chegamos em uma lanchonete. Entramos. Todos olharam para ele. Era como se ele tivesse uma luz propria sobre si. Ele não era famoso. E se olhasse bem nem tão bonito assim. Mas sua simpatia era percebida a quilometros.
Sentamos. Logo nos atenderam. Ficamos no silencio de nossos pensamentos. Era tudo tão diferente com ele. Eu tinha paz. Ele tinha uma paz. Era diferente de todos os homens com quem eu sair. Todos me olhavam com desejo. Ele me olhava com simpatia. Ternura. Era tão facil ficar ao seu lado.
Então ele rompeu o silencio.
Caio: - Voce estuda no colegio sul não é verdade?
Rose: - Sim. Mas acho que não vou mais estudar lá não.
Caio: - Entendo. Talvez voce conheça a minha prima.
Rose: - Prima? Qual o nome dela?
Caio: - Fernanda. Conhece?
Aquilo para mim foi um choque. Ele era primo dela? Daquela que me irritava com aquele olhar. Então meus olhos voltaram para os de Caio. E lá estava. O mesmo olhar maldito que eu tanto odiava. Nem precisou de mais nada. Era tudo que faltava para completar meu dia. Me levantei, e comecei andar pela porta. Queria sair dali.
Eu vi que ele deixa um dinheiro em cima da mesa e vinha correndo em minha direção. Mas eu não queria olhar novamente para ele. Aquele olhar me incomodava. Me machucava. Por que eles tinham aquele olhar?
Caio: - Rose! Espere.
Mas era em vão. Ele me chamava. Mas não adiantava. Era tudo em vão. Não queria olha-lo. Mas eu estava de salto. E ele era atletico. Então ele me acompanhou facil. Ele me virou para olhar para ele. Sorriu. Respirou fundo.
Caio: - Nossa! Voce é bem rapida. Desculpe, mas eu te disse algo que te machucou?
Rose: - Me deixe Caio. Voce e sua prima, me irritam com esse olhar. O que voces tem?
Me deixem em paz.
E no impulso dos sentimentos ele tornou a me abraçar. Era a segunda vez que ele fazia. Eu não entedia o objetivo dele. Mas o abraço me confortou novamente. O que ele tem para me deixar desse jeito. Por que ele me acalma tanto assim? Que paz é essa que sai dele e me imunda como aguas vivas de um rio. Eu não entendia. Ele era tão diferente.
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